Texto e Fotos: Eduardo Chaves
O que faz as pessoas acreditarem que elas são capazes de mudar o mundo que as cercam? Descubra o mistério
O livro “O Segredo” é um dos maiores vendagens editoriais de toda a história. A ex-produtora de televisão Rhonda Byrne, teve a fórmula do sucesso e através de um ar de mistério e até mesmo de magia, conseguiu convencer cerca de 10 milhões de pessoas no mundo todo a comprarem a sua obra.
A produção, na verdade, é uma releitura do autor Wallace Wattles, de 1910, chamada de The Science of Getting Rich, ou em bom português: A Ciência de Ficar Rico. A obra foi entregue à produtora por sua filha, em um momento de falência das empresas de Byrne e certamente os 20 milhões de euros conquistados com o livro, fizeram diferença na vida dela.
No Brasil, a publicação já foi lida por mais de 30 mil pessoas e tem ganhado adeptos a cada dia. “Eu acredito muito que somos como um rádio, exemplo que já é usado no filme. Todos somos feitos de energia e de vibrações. Quando estamos com esta energia baixa atraímos apenas aquilo que está no mesmo nível”, explica a jornalista Giulianna Aquarone, que aos 26 anos já é proprietária de uma das mais famosas assessorias de comunicação de São Paulo.
“Eu sou uma pessoa muito positiva, por isso acho que tudo que eu consigo tem um pouco dessa forma de pensar”, justifica Aquarone sobre as suas conquistas.
O livro apresenta uma teoria de fio condutor entre o pensamento e os fatos do mundo, que entram em sintonia e se aproximam quando os fatos encontram pensamentos com o mesmo valor, apresentados na edição como: A Lei da Atração.
A idéia de que “atraímos o que pensamos” é exemplificada com casos de personalidades americanas, como um diretor de uma empresa, um respeitado professor de filosofia ou um bem sucedido empresário europeu. A tiragem absurda do livro deu origem também ao DVD da obra que é um sucesso de igual valor.
No Brasil, o bacharel em filosofia, Rafael Alves, explica que a falta de critérios e métodos usados no livro para definir a lei da atração, faz com que o livro seja alvo de questionamentos. “A sociedade, no entanto, permite acreditar nos resultados apresentados pela obra, exatamente por não haver parâmetros que possam confrontá-los. O livro não apresenta dados reais e concretos, apenas fatos e histórias contadas sem embasamentos”, comenta Alves.
Os livros de auto-ajuda são em geral a maior procura entre as livrarias no país, tal sucesso é apresentado como uma válvula de escape para os problemas do dia a dia, ou apenas a busca por um guia de praticidades.
“Eu acredito no poder do pensamento, no entanto, crer que nada de ruim vai acontecer, acho um exagero. Nada impede que coisas não tão boas aconteçam, é natural”, confronta o auxiliar contábil, Adelson de Paiva, que embora questione o livro, afirma sonhar com um emprego em uma multinacional e o pensamento positivo o levou a trabalhar em uma cia alemã. “Consegui um emprego sem nem ler o livro ainda”, completa.
O marketing envolvente do livro fez dele o principal atrativo da leitura. A capa oculta informações, um design medieval e algumas letras rebuscadas criam no leitor a necessidade de descobrir qual realmente é o segredo escondido entre as páginas da publicação. A curiosidade ainda é a principal arma da publicidade.
“O homem deve crer naquilo que lhe é saudável e lhe traga um pouco que seja de alegria e paz. A sociedade se depara cotidianamente com casos onde a própria convivência é posta em xeque. Devemos ter algo no que acreditar”, finaliza Rafael Alves.
E você já descobriu qual é O Segredo?
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