Texto e Fotos: Eduardo Chaves
Nascida no ABC a banda Lipstick mostra que agora é a vez das meninas dominarem o rock nacional. Em busca de um lugar ao sol, as cinco integrantes revelam as dificuldades, os anseios e principalmente as conquistas que o sucesso é capaz de oferecer. Todas tem em comum apenas um objetivo: fazer música de qualidade.
A banda Lipstick surgiu ainda em 2000 nos bastidores de uma escola de música na região. Incentivadas pelo professor do conservatório musical que apostava na formação apenas por meninas, o grupo encontrou em 2005 o ponto certo para encarar o mercado.
O grupo é composto pela vocalista Mel Ravasio, a tecladista Mi Oliveira, a baixista Carol Navarro, a guitarrista Dedê Soares e a baterista Tila Gandra, todas amigas e com experiências musicais diferentes, mas que juntas formam um acorde perfeito.
A vocalista Mel Ravasio é a mais nova na banda, após alguns testes, o grupo percebeu que ela tinha a cara e o estilo da banda. Segundo Ravasio, a busca por uma identidade é a grande chave para o sucesso: “nós temos um diferencial, somos meninas que cantam e tocam sem a preocupação de sermos feministas ao extremo. Queremos mostrar que existe espaço para todos os gostos e estilos”, comenta.
A internet mais uma vez cumpre seu papel de divulgação e fez das meninas um verdadeiro estouro, além de chamar a atenção do produtor Rodrigo Castanho e da atual gravadora Thurbo que perceberam nestas andreenses o tom certo para o mercado atual.
“Temos que divulgar a nossa música, assim, um amigo baixa, gosta e passa pra outro, que resolve colocar no carro pra uma galera ouvir, e assim, quando percebemos estamos conversando com uma galera no msn que acabou de ouvir o nosso som e curtiu. Isso é o máximo”, analisa Carol.
O sucesso “Cada Segundo que eu Tinha” ganhou um vídeo-clipe produzido pela gravadora e já é mania na rede. Com este trabalho, as garotas começaram a abrir os show de bandas famosas como CPM22, NX Zero e Tihuana, além de apresentações em programas de rádio e TV de todo o país.
A música “Eu Sei” é o próximo hit de sucesso que a banda vai apostar no mercado. Além de contar com o apoio da novela da Record “Os Mutantes” para a canção “Temporal”, que aparece sempre quando um grupo de roqueiros surge na trama.
Com tanto trabalho musical, será que ainda é possível encontrar tempo e espaço para a família? “Quando não estamos fazendo show, temos que ficar em casa com os nossos pais. Os amigos também reclamam, mas não tem jeito, agora temos que nos concentrar nas apresentações”, conta Tila.
O toque feminino no rock não está apenas nas melodias compostas pelas próprias integrantes, mas também no jeito de se vestir. “Não gostamos de repetir roupas, o fã percebe quando aparecemos na televisão e depois usamos o mesmo look no show. É engraçado mais o guarda-roupa precisa estar sempre repleto de novidades”, revela Mel.
“Às vezes emprestamos algumas peças entre nós mesmas e quando percebemos estamos todas no mesmo tom. Isso sim que é sintonia”, brinca a tecladista Mi Oliveira.
Todas já passaram por alguma faculdade ou experiência profissional, seja como professora de educação física como é o caso da vocalista Mel, ou cursando o último ano de Sistemas de Informação como a Dedê e até mesmo o cuidado com os animais como é o caso de Tila, todas atualmente se dedicam apenas ao trabalho da banda.
O preconceito não atrapalha as previsões do futuro da banda que embora formada por garotas, garante neste diferencial uma boa publicidade para o trabalho do grupo. “Qualquer área que a mulher atue ela sofre preconceito, isso é cultural, já passamos por isso algumas vezes, mas hoje melhorou muito”, declara Mel.
As meninas são ousadas e garantem que ainda é possível chegar muito além. “Ainda precisamos percorrer um longo caminho para chegar onde queremos”, finaliza Dedê.
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